"EM NENHUMA DEMOCRACIA SÉRIA DO MUNDO, JORNAIS CONSERVADORES, DE BAIXA QUALIDADE TÉCNICA E ATÉ SENSACIONALISTAS, E UMA ÚNICA REDE DE TELEVISÃO TÊM A IMPORTÂNCIA QUE TÊM NO BRASIL. ELES SE TRANSFORMARAM NUM PARTIDO POLÍTICO - O PIG, PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA".(SITE CONVERSA AFIADA) <<//>> DAS TERRAS DE RIBEIRÓPOLIS/SE PARA O MUNDO, O PASQUIM RIBEIROPOLENSE CONSTITUI UM DOS MUITOS ESPAÇOS ALTERNATIVOS FRENTE A ESTES MONOPÓLIOS DA COMUNICAÇÃO.
O pequeno José Aparecido Vieira vai comemorar o aniversário de 10 anos de uma forma diferente. Morador do povoado Fazendinha, em Ribeirópolis, distante 75 km de Aracaju, o garoto foi o vencedor da categoria B do Concurso de Redação para Pessoas com Hemofilia, promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Federação Brasileira de Hemofilia e a Universidade Federal de Minas Gerais.
Na redação de 10 linhas e escrita à mão, José Aparecido explorou o tema "A paz no mundo começa em mim...". No texto, colocou que "o mundo tem dois lados, o ruim e o bom, por isso existe Deus... O mundo pede paz, mas o lado ruim não dá..." e encerrou dizendo que a "... esperança é a última que morre".
Diagnosticado com hemofilia do tipo A, há três anos José Aparecido é assistido pelo Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), onde recebe o fator VIII. No dia 30 deste mês, ele completa 10 anos de idade e viaja junto com a mãe, Maria de Lourdes dos Santos Vieira, no dia 14 de abril para Brasília, onde receberá a premiação. A solenidade de entrega acontecerá no dia seguinte.
De acordo com o superintendente do Hemose, Gustavo Filho, o hemocentro cuidará do transporte de José Aparecido e da mãe, do povoado onde residem até o aeroporto e também no retorno de Brasília, previsto para o dia 16.
O garoto José Aparecido Vieira, segundo a Professora Edynelza Oliveira, é aluno da escola pública de Ribeirópolis, o que demonstra o trabalho valoroso dos educadores do povoado Fazendinha (Ribeirópolis).
Concurso
Realizado pelo terceiro ano consecutivo, o concurso visa comemorar o Dia Mundial da Hemofilia, celebrado em 17 de abril. As primeiras 12 redações selecionadas serão utilizadas para ilustrar a agenda 2011 do concurso. O evento tem ainda como objetivos a valorização das pessoas com hemofilia, o incentivo à capacidade criativa e a interação dos pacientes com os centros onde são tratados.
Fontes: Ribeirópolis.net e Professora Edynelza Oliveira (Educadora em Ribeirópolis).
Quinta-feira, 1º de abril, marca os 46 anos do fatídico golpe civil-militar de 1964. Na época, o imperialismo estadunidense, os latifundiários e parte da burguesia nativa derrubaram o governo democraticamente eleito de João Goulart. Naquela época, a imprensa teve papel destacado nos preparativos do golpe. Na sequência, muitos jornalões continuaram apoiando a ditadura, as suas torturas e assassinatos. Outros engoliram o seu próprio veneno, sofrendo censura e perseguições.
Nesta triste data da história brasileira, vale à pena recordar os editoriais dos jornais burgueses – que clamaram pelo golpe, aplaudiram a instalação da ditadura militar e elogiaram a sua violência contra os democratas. No passado, os militares foram acionados para defender os saqueadores da nação. Hoje, esse papel é desempenhado pela mídia privada, que continua orquestrando golpes contra a democracia. Daí a importância de relembrar sempre os seus editorais da época:
O golpismo do jornal O Globo
“Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares que os protegeram de seus inimigos. Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais”. O Globo, 2 de abril de 1964.
“Fugiu Goulart e a democracia está sendo restaurada…, atendendo aos anseios nacionais de paz, tranqüilidade e progresso… As Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a nação na integridade de seus direitos, livrando-a do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal. O Globo, 2 de abril de 1964.
“Ressurge a democracia! Vive a nação dias gloriosos… Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas que, obedientes a seus chefes, demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições. Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ter a garantia da subversão, a ancora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada”. O Globo, 4 de abril de 1964.
“A revolução democrática antecedeu em um mês a revolução comunista”. O Globo, 5 de abril de 1964.
Conluio dos jornais golpistas
“Minas desta vez está conosco… Dentro de poucas horas, essas forças não serão mais do que uma parcela mínima da incontável legião de brasileiros que anseiam por demonstrar definitivamente ao caudilho que a nação jamais se vergará às suas imposições”. O Estado de S.Paulo, 1º de abril de 1964.
“Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu”.Tribuna da Imprensa, 2 de abril de 1964.
“Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade… Legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares. A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas”. Jornal do Brasil, 1º de abril de 1964.
“Golpe? É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente. Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, desordem social e corrupção generalizada”. Jornal do Brasil, 1º de abril de 1964.
“Pontes de Miranda diz que Forças Armadas violaram a Constituição para poder salvá-la”. Jornal do Brasil, 6 de abril de 1964.
“Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do estado e chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade”. O Estado de Minas, 2 de abril de 1964.
“A população de Copacabana saiu às ruas, em verdadeiro carnaval, saudando as tropas do Exército. Chuvas de papéis picados caíam das janelas dos edifícios enquanto o povo dava vazão, nas ruas, ao seu contentamento”. O Dia, 2 de abril de 1964.
“A paz alcançada. A vitória da causa democrática abre o País a perspectiva de trabalhar em paz e de vencer as graves dificuldades atuais. Não se pode, evidentemente, aceitar que essa perspectiva seja toldada, que os ânimos sejam postos a fogo. Assim o querem as Forças Armadas, assim o quer o povo brasileiro e assim deverá ser, pelo bem do Brasil”. O Povo, 3 de abril de 1964.
“Milhares de pessoas compareceram, ontem, às solenidades que marcaram a posse do marechal Humberto Castelo Branco na Presidência da República… O ato de posse do presidente Castelo Branco revestiu-se do mais alto sentido democrático, tal o apoio que obteve”. 13
Apoio à ditadura sanguinária
“Um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social – realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama”. Folha de S.Paulo, 22 de setembro de 1971.
“Vive o País, há nove anos, um desses períodos férteis em programas e inspirações, graças à transposição do desejo para a vontade de crescer e afirmar-se. Negue-se tudo a essa revolução brasileira, menos que ela não moveu o país, com o apoio de todas as classes representativas, numa direção que já a destaca entre as nações com parcela maior de responsabilidades”. Jornal do Brasil, 31 de março de 1973.
“Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada”. Editorial de Roberto Marinho, O Globo, 7 de outubro de 1984.
Mais uma vez o governo José Serra usou da truculência policial para tentar impedir a realização da assembleia dos professores nesta quarta-feira, 31. Pela manhã, a PM apreendeu, nas proximidades do MASP, o carro de som contratado pelo Sindicato. Mas a ação não intimidou a categoria. Num palanque improvisado, a diretoria da APEOESP conclamou os 40 mil professores que participavam da manifestação a iniciar a passeata até a Praça da República, onde um outro carro de som os aguardava.
Continuidade da greve
A assembleia aconteceu em frente à sede da Secretaria da Educação e os professores aprovaram a continuidade da greve. Nova assembleia acontecerá no dia 08 de abril, quando o movimento
grevista completará um mês. A concentração será no vão livre do Masp. Em seguida, os professores devem seguir em passeata até a sede da Secretaria da Educação.
Após a realização da assembleia, os professores permanecerão em frente à Secretaria da Educação até que o governo abra negociação com a APEOESP.
Mobilização
A partir desta quinta-feira, 01 de abril, as subsedes da APEOESP devem reforçar a organização, os comandos de greve nas unidades escolares e as conversas com pais e alunos. Também devem
continuar buscando apoio político e material junto aos diversos segmentos da sociedade.
Na quarta-feira, 07 de abril, as subsedes devem realizar assembleias regionais para debater os encaminhamentos da luta da categoria.
PHA, graças a Deus temos seu espaço para pelo menos desabafar. Eu fui, eu estava lá. Sou professora por opção, estudiosa, honesta e dedicada. Me senti como um lixo humano, ontem, durante meu primeiro manifesto público PACÌFICO. Vi alunos nos defendendo e colegas de classe com mais de 60 anos, todos no mesmo barco, lutando pela mesma causa. Tenho algumas perguntas: o que fazia aquele (e muitos outros) policial a paisana,infiltrado no meio dos mainfestantes? Será que era mesmo um policial militar, que se identifique. Ambos, policiais e militares temos o mesmo patrão. Não vamos fazer demagogia e nem falar demais, todos sabem a verdade. Qualquer idiota percebe como a mídia manipula as pessoas. O carro de reportagem da Globo estava estacionado atrás de nossa Van, perguntei ao repórter porque eles estavam lá, nem resposta tive. Se todas as imagens fossem liberadas, seria como as descobertas depois da ditadura…. Não dá para imaginar que o sr. José Serra tenha esquecido seus tempos de ditadura. Como pode alguém que passa por uma situação de repressão, esquecer e agir da mesma forma anos depois ? Estou triste, indignada e não posso acreditar que o público, a mídia e pais não possam entender nossa luta. Não queremos nada além de nossos direitos:incorporação das gratificações, salários mais justos e uma política digna de carreira, não esta enganação. Mas, essa é outra história que parece que ninguém quer ouvir,,,, apenas queremos abrir negociação. Permaneço em greve, mas não estou feliz por estar em greve, é desgastante para todos, ninguém ganha. Minha família sempre votou no PSDB, que pena, que vergonha tenho disso, precisei sentir na pele para descobrir a verdade…. nunca acreditei em partidos, mas em mestres e homens, vou continuar assim, mas não quero que as pessoas com menos acesso à informação continuem sendo ENGANADAS. Um abraço.
André Oliveira em 27/março/2010
Dá vontade de chorar, mais ainda sabendo que muito PMs só estão lá porque se se recusarem a cumprir as ordens são enquadrados no RD, Regime Disciplinar. Tem um ou outro babaca que acha que está abafando, mas eles são servidores do estado que nem os professores..
Um PM me disse hoje que o vale coxinha dele foi reduzido de uns 72,00 por mês para menos de R$ 50,00. Virou vale cafezinho…
O Zé Pedágio está pedindo para ocorrer um “golpe de estado” da PM em São Paulo. Um dia a paciência da PM acaba..Eles estão de saco cheio de bater em trabalhador..
Por Mario Carlos em 27/03/2010
¨Globo criminaliza professores para proteger o ditador José Serra.
Quem ouviu de olhos fechados o noticiário da Globo sobre a violência policial contra os professores paulistas, ficou com a impressão que os professores seriam desordeiros que provocaram o conflito. Quem viu de olhos abertos percebeu que a narrativa não correspondia à sequência de imagens. Um grupo pequeno de manifestantes tomou o caminho de acesso ao Palácio dos Bandeirantes. Havia uma barreira policial que os impedia de prosseguir. Como o grupo era pequeno, houvessem policiais experientes em negociação, não haveria conflito. Mas o que se vê no vídeo são os policiais recebendo os manifestantes, não com diálogo, mas com spray de pimenta. Só depois dos manifestantes (jovens, aparentemente estudantes) serem agredidos com spray de pimenta, é que revidaram jogando objetos. A reação da polícia foi o uso da força desproporcional à necessidade, transformando uma manifestação pacífica em uma praça de guerra. A Globo contou a versão oficial da Polícia, para agradar o ditador José Serra. Mas não ouviu o outro.
Enquanto a polícia descia o cacete nos profesores na capital, o nosso governador usava novamente sua polícia para tomar apitos e faixas contrárias a ele e de protestos pelos professores, foram deixadas apenas as faixas em favor do governador.
Novamente a polícia foi truculenta com os docentes. Teve até polícia civil durante os protestos.
Vale pesquisar sobre.
A afiliada da Globo na região minimizou tudo, mas o clima foi pezado! Abraços,
Jeferson
Fonte: Blog Conversa Afiada do PHA (Paulo Henrique Amorim)
Tentativa de negociação do Magistério termina com 16 feridos
O protesto de professores na região do Palácio dos Bandeirantes foi reprimido com jatos de spray de pimenta disparados por um helicóptero da PM contra a multidão, que enfrentou também bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e cassetetes. Há pelo menos 16 feridos; entre eles o professor Carlos Ramiro de Castro, vice-presidente da CUT, ferido na testa com estilhaços de bombas quando tentava negociar com os policiais, e os professores de História Severino Honorato da Silva e Luis Cláudio de Lima, atingidos por uma bala de borracha. A Cavalaria, a Tropa de Choque e a Força Tática da Polícia Militar foram mobilizadas para impedir que os professores chegassem aos portões do Palácio dos Bandeirantes. “Foi horroroso. Os policiais vieram com muita violência. Foi bomba para todo lado”, lamenta Carlos Ramiro. Em greve desde o dia 8 de março, os professores e funcionários do Magistério Paulista decidiram nesta sexta-feira (26/03) manter a paralisação. “Os líderes dos professores foram levados em viatura ao Palácio dos Bandeirantes e lá foram informados que não havia negociação. É um absurdo chamar para dizer que não existe diálogo”, conta a deputada Maria Lúcia Prandi, presidente da Comissão de Educação da Assembleia. A deputada também revoltou-se com a violência gratuita contra os trabalhadores. “Foram muitas bombas e estava difícil respirar por causa das bombas de gás lacrimogêneo. A passeata só andou um quarteirão. Estávamos distante do Palácio dos Bandeirantes. Tentamos negociar com a Tropa de Choque, mas foi muita violência”, lamenta a deputada, que é professora aposentada.
A rede de ensino público estadual de São Paulo tem 240 mil professores, distribuídos em mais de 5 mil escolas de 645 municípios, atingindo mais de 5 milhões de alunos.
Nesta sexta-feira, a greve da categoria (professores, diretores, supervisores e funcionários) completa 20 dias. Está marcada para as 15h uma manifestação numa praça próxima ao Palácio dos Bandeirantes.
“Lamentavelmente nesses 20 dias, o governo José Serra não abriu negociação, está intransigente”, afirma em entrevista ao Viomundo o professor Fábio Santos de Moraes, secretário-geral do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, a Apeoesp. “Se ele persistir nessa postura, nos forçará a continuar o movimento, que é massivo em São Paulo. Mas, sinceramente, esperamos que o governador abra a mesa de negociações. Será bom para todos nós: professores, pais e mães e alunos.Todos nós queremos voltar à salas de aula ”
Viomundo – Professor, na quarta-feira, em Franco Rocha, a Polícia Militar (PM) usou cassetetes e gás pimenta contra 30 a 70 professores (conforme fonte) que protestavam durante evento com governador José Serra (PSDB). Quatro foram presos. Os senhores não temem algo mais grave, já que milhares deverão ir ao ato de hoje à tarde? Fábio Moraes – De cara, repudiamos o tratamento extremamente violento que foi dado aos professores. Estamos indignados. Se o governo não estivesse tratando com descaso os profissionais de educação, como vem fazendo desde o início, isso não teria acontecido. Aonde o governador está indo, a categoria está indo atrás, para dizer que é preciso abrir as negociações. Não precisa de polícia.
Porém, por conta da truculência da quarta-feira, estamos tomando todos os cuidados. Não é do nosso interesse que haja confronto. Por isso hoje todo o nosso conselho estadual de representantes – são 700 professores da capital, Grande São Paulo e interior – estará atento durante toda a manifestação, para que não ocorra nenhum incidente. Truculência, não, governador José Serra. Negociação pacífica, para que o professor melhore o seu salário, como toda a classe trabalhadora, sim.
Viomundo – A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo diz que a greve tem a adesão de apenas 1% dos professores. É isso mesmo?
Fábio Moraes – De modo algum. Desde o início, a adesão a essa greve é muito grande. Nesses vinte dias, juntando capital, Grande São Paulo e interior, tivemos, no mínimo, paralisação de 50% dos professores. Ás sextas-feiras, picos de até 70% . Tanto que na última sexta-feira, 19 de março, tivemos mais de 40 mil professores na Avenida Paulista, chamando a atenção para o descaso da educação no estado de São Paulo, para as péssimas condições de trabalho e para o salário baixo.
Viomundo – O secretário da Educação, Paulo Renato, disse em entrevista ao Estadão que o professor da rede estadual de São Paulo ganha de R$1.800,00 a R$ 6.240,00. É verdade?
Fábio Moraes – Nós desafiamos ele a mostrar à sociedade um holerit não de R$ 6.240, 00, que é o teto. Mas pelo menos 50% desse valor. Não existe.
Viomundo – Quanto ganha hoje um professor da rede estadual de São Paulo?
Fábio Moraes – Hoje o professor PEB I, que trabalha da primeira à quarta série [antigo primário], recebe R$ 6,58 por hora. Isso significa que o salário inicial por 24 horas é de R$ 785, 50. Esse mesmo professor trabalhando 30 horas semanais chega R$ 981,88. Já o professor PEB II, que são aqueles do ensino fundamental e médio [antigos ginásio e colegial] ganha R$ 7,50 por hora. Por 24 horas semanais de trabalho, ele recebe R$ 909,32. Por 30 horas, R$1.136,63.
Viomundo – Só isso?
Fábio Moraes – Só. E todos têm nível superior. Como é pouco, obriga o professor a trabalhar excessivamente para ter um ganho melhorzinho.
Viomundo – Que lugar São Paulo ocupa no ranking brasileiro em termos de salário para professores da rede estadual?
Fábio Moraes – O governo Serra paga salário menor do que a maioria das prefeituras do Estado. Hoje é o 17º pior salário, contando todos os estados da nação. Estamos atrás, por exemplo, Tocantins, Roraima, Distrito Federal, Goiás, estados que arrecadação extremamente inferior à de São Paulo. Infelizmente, é uma posição triste que demonstra o descaso com a educação. De 1998 para cá, nós tivemos uma perda real calculada pelo Dieese de 34,3%. Enquanto a maioria das categorias de trabalhadores tem reajuste acima da inflação, nós estamos muito aquém do que deveríamos receber.
Viomundo – O tíquete-refeição de vocês também é uma vergonha… O Paulo Henrique Amorim já o apelidou de vale-coxinha…
Fábio Morais – Só rindo, mesmo, para não chorar. O nosso vale-refeição é de R$4,00!!!! O último reajuste foi em 2005 por conta de uma greve. Na época, era R$2,00. É bom que fique claro que uma boa parcela dos professores não tem direito a vale-refeição, porque o salário ultrapassa o valor estabelecido numa tabela. É uma afronta a qualquer trabalhador. Como muitas vezes o professor trabalha de manhã, tarde e noite, ele tem R$ 2,00 para almoçar e R$2,00 para jantar. Pode?
Viomundo – Qual a principal reivindicação da categoria?
Fábio Moraes – É o reajuste de 34,3%, já que não temos aumento há um bom tempo. No mínimo, vai ajudar os professores a recuparar a autoestima para poderem trabalhar. A nossa luta é por questão salarial, mas também por condições adequadas de trabalho e educação pública de qualidade. Os professores da rede estadual são hoje campeões de problemas de saúde: depressão, estresse… Há também a questão de segurança nas escolas. Tem salas superlotadas, o que obriga os professores a falar muito alto, dando problema de voz. São instalações inadequadas tanto para os professores quanto para os alunos.
Viomundo – Que outra reivindicação é importante?
Fábio Moraes – O fim das provas punitivas. Nós não temos receio de avaliação, mas queremos que sejam feitas provas para efetivar os professores temporários. Acredite se quiser. Hoje, nós temos na rede 113. 242 professores contratados em caráter temporário. Isso não pode ocorrer mais. Nenhum outro órgão estatal tem número tão alto de temporários. Então nós queremos concurso público imediato. Fim das avaliações de punição.
Viomundo – O que são essas provas?
Fábio Moraes – São avaliações impostas aos professores e vinculadas a um bônus. É assim. O professor tem de fazer avaliação para dar aula. Avaliação para receber o bônus. Avaliação para o contrato temporário. É o único profissional do país que faz avaliação sistemática, que não lhe dá o direito de profissional concursado efetivo. Ele faz a avaliação, é classificado mas somente para o ano. Para o ano seguinte tem de fazer outra avaliação. Nós achamos que avaliações para concurso público são indispensáveis, mas como em todas as outras categorias profissionais públicas.
Viomundo – Frequentemente pais e mães ficam bravos com as greves de professores. O que senhor diria a eles?
Fábio Moraes – Pedimos o apoio. Os pais sabem que uma coisa é o governo diz na mídia, outra, bem diferente, é a realidade. Os pais sabem que essa luta por melhores salários, é uma luta para melhorar a educação pública do estado de São Paulo. Nós queremos uma escola pública melhor. Que sejam bonitas, com laboratórios, professores, apoiadores. Isso tudo fará com que o nosso aluno tenha condição de sair do nosso ensino médio pronto para o mercado de trabalho e para as universidades. Portanto, é uma luta de todos. Nós estamos tendo apoio de todos. Boa parcela das câmaras dos 645 municípios do estado também está nos apoiando.
Viomundo – E para os seus colegas, professores, que recado o senhor manda?
Fábio Moraes – Nós temos certeza de que a manifestação de hoje será muito bonita. Nós queremos seja uma manifestação cidadã. Enquanto o governo não abrir negociação, nós vamos continuar a nossa luta. Desse jeito que está, não dá mais. Os professores decidiram. Eu tenho certeza de que se o governo não apresentar nenhuma proposta, a greve continuará. Temos de resgatar a dignidade da educação pública de São Paulo.
O primeiro dia de greve dos professores de Ribeirópolis começou com a ocupação da Prefeitura Municipal por parte dos educadores. Dos 167 professores pararam 163. Ainda na manhã de hoje, de Brasília, o Deputado Federal Professor Iran Barbosa (PT-SE) telefonou para prefeita Uíta Barreto, solicitando à administradora que recebesse os professores de Ribeirópolis a fim de resolver o impasse. Minutos depois a prefeita informou ao Deputado que receberia os professores as 15h00min na prefeitura. Imediatamente o Parlamentar Federal comunicou à Comissão do Sintese em Ribeirópolis que reunião já estava marcada.
A partir das 15h00min, com os docentes enfrente da prefeitura, chegou a Deputada Estadual Professora Ana Lúcia (PT-SE) para participar da reunião com a Comissão do Sintese representando os professores diante do governo municipal. Durante a reunião a administração disse que não alteraria o projeto inicial, pois não teria como pagar. A Deputada Ana Lúcia apontou que nos estudos que vem fazendo sobre a educação em Sergipe, os dados mostram que existe uma parcela considerável da sociedade sergipana fora da escola e que Ribeirópolis não foge desta realidade, sugerindo em seguida, que o governo municipal proponha uma política de crescimento de matrícula em Ribeirópolis, sobretudo na educação infantil, jovens e adultos, para expandir a educação e melhorar a receita do município.
Após a resistência da prefeitura em não alterar o projeto inicial, sobretudo na regência de classe, e insistência dos representantes dos professores, a administração se comprometeu em se reunir com a Comissão do Sintese nos próximos 60 dias para verificar o crescimento da receita e voltar a discutir a regência de classe e os níveis de escalonamento, bem como pagar o retroativo do piso referente aos meses de janeiro e fevereiro.
Logo depois da reunião com a administração municipal a Comissão do Sintese chamou os professores que estavam em frente da prefeitura e realizou-se, pela primeira vez, uma assembléia da categoria dentro do prédio do Poder Municipal. Os representantes do Sintese expuseram aos docentes os detalhes da reunião e o comprometimento do governo Uíta em voltar em se reunir nos próximos 60 dias. Depois da exposição dos líderes do Sintese, os professores decidiram voltar à aulas a partir de amanhã e encerrar a greve.
Imediatamente a administração municipal procurou o líder do governo na Câmara de Vereadores e solicitou que o mesmo propusesse alterações no projeto inicial.
Para os professores da Rede Municipal de Ribeirópolis, a luta pela valorização dos profissionais do magistério só está começando.